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Category Design: O Guia Definitivo para Criar, Dominar e Monetizar um Novo Mercado

Atualizado: 26 de out. de 2025


O que é Category Design

O Category Design não é exatamente marketing, mas sim uma estratégia de negócio que visa reorganizar a forma como o mercado pensa e compra.


  • O que é: A disciplina de criar e desenvolver uma nova categoria de mercado (o "como" as pessoas resolvem um problema) para capturar a maioria do valor gerado (o "Category King").

  • Fundamento: Rejeitar a competição em mercados existentes (o "melhor") e, em vez disso, criar um novo Ponto de Vista (POV) sobre um problema não resolvido.

  • 3 Elementos: O Category King atinge alinhamento entre Produto (o que entregamos), Empresa (o modo de operar) e Categoria (o problema que resolvemos).

  • Execução: Exige um Go-to-Market orquestrado em torno de "Lightning Strikes" (picos de energia narrativa) para educar o mercado e gerar demanda latente.

  • Resultado: O Category King captura historicamente ∼76% da capitalização total do novo mercado, criando um Moat (fosso) intransponível.


Sumário



Introdução


Em um mundo onde o Product-Market Fit (PMF) se tornou a linha de base para a sobrevivência, a concorrência por atenção atingiu níveis insustentáveis. O Custo de Aquisição de Clientes (CAC) explode, a atenção do decisor evapora e, ironicamente, a excelência técnica do seu produto é, muitas vezes, o que o torna uma commodity.

O problema não é o seu produto ser ruim; é o seu mercado estar saturado de "melhores". A maioria das empresas está presa na Armadilha do Mercado Existente, competindo por fatias cada vez menores do mesmo bolo, com a crença de que serem apenas "melhores" ou "mais rápidos" é o suficiente.


É nesse cenário que o Category Design (ou design de categoria, criação de categoria) emerge como a principal alavanca estratégica para crescimento explosivo e sustentável. Em vez de competir, o Category Design propõe redefinir o jogo, criando um novo mercado onde você é, por definição, o único Category King.

Category Design é a disciplina de negócio focada em criar e desenvolver uma nova categoria de mercado, redefinindo o problema e a solução para criar demanda latente onde ela não existia. Diferente de branding ou marketing de performance, o objetivo é estabelecer um Ponto de Vista (POV) único, educar o mercado e, ao fazê-lo, capturar a maioria do valor total (geralmente acima de 70%) desse novo mercado.

O que é Category Design (Contexto e Conceito)


O Category Design é, acima de tudo, uma estratégia corporativa que se manifesta em marketing, produto, vendas e cultura. Sua popularização se deve, em grande parte, ao trabalho dos autores do livro Play Bigger, que analisaram empresas de tecnologia de crescimento exponencial e identificaram um padrão: as empresas mais valiosas não competem; elas criam categorias.


O Category Design opera com a premissa de que o cérebro humano lida com a complexidade organizando o mundo em "categorias" (contêineres mentais) para simplificar decisões de compra. Se você não está na mente do cliente como a solução para uma nova categoria de problema, você é comparado aos concorrentes de uma categoria antiga.


Conceitos Centrais do Category Design


  1. O Ponto de Vista (POV - Point of View): O coração do Category Design. O POV não é a sua missão ou visão de empresa; é uma narrativa convincente sobre a mudança que está ocorrendo no mundo e sobre o problema não resolvido que a categoria existente não consegue mais endereçar. O POV deve:

    • Nomear o inimigo (aquilo que o status quo representa).

    • Definir uma nova métrica de sucesso para o cliente.

    • Apelar para a emoção, contando uma história que ressoa no "gut" (instinto) do público.

  2. Category Creation (Criação de Categoria): O ato de nomear, enquadrar e reclamar o novo mercado. Isso envolve criar o nome da categoria (ex: "CRM", "Cloud Computing", "Content Management System"), que será o termo que o cliente buscará no Google e usará para se referir ao problema/solução. É uma estratégia de Category Creation que gera a demanda latente.

  3. Lightning Strike (Ataque Relâmpago): O orquestramento de picos de energia narrativa (PR, eventos, lançamentos de conteúdo de peso, parcerias) para introduzir o POV e o nome da categoria no mercado de forma massiva e unavoidable (inevitável). Não é uma campanha de marketing; é um evento de transformação de mercado.

  4. Category King (Rei da Categoria): A empresa que define o POV, constrói a maioria da demanda e, consequentemente, domina a capitalização de mercado. Estudos mostram que os reis da categoria capturam cerca de 76% do valor de mercado.


A maior parte das empresas está em busca de Product-Market Fit (PMF); o Category Design busca o PMF+CS (Product-Market Fit plus Category Superconsumer), que significa não apenas ter um produto que as pessoas querem, mas também ter uma categoria que as pessoas acreditam e evangelizam.


Category Design vs. Outras Abordagens


É comum confundir Category Design com Branding, Marketing de Performance ou até mesmo Inovação. O Category Design é uma abordagem estratégica distinta, com metas, KPIs e um horizonte de tempo completamente diferentes.

Feature

Category Design

Branding (Marca)

Marketing de Performance

Inovação Incremental

Blue Ocean Strategy

Objetivo Primário

Criar/redefinir o MERCADO.

Criar/melhorar a IDENTIDADE no mercado.

Capturar a DEMANDA existente.

Melhorar o PRODUTO no mercado existente.

Criar um novo espaço de mercado ("oceano azul").

Foco

O Problema Não Resolvido (POV).

Promessa Emocional e Visuais.

CPA, CPL, ROAS, Conversão.

Features, Velocidade, Preço.

Curva de Valor (Eliminar, Reduzir, Aumentar, Criar).

Efeito no Mercado

CRIA demanda latente (educação).

Aumenta o Share of Voice em demanda existente.

Converte demanda existente/ativa.

Move-se ao longo da curva S da tecnologia.

Descobre novo valor.

Metáfora

Fabricar o Oceano (rejeitar o existente).

Pintar um barco para que se destaque.

Pescar no oceano existente.

Ajustar o motor do barco.

Descobrir um Oceano Azul.

KPIs-Chave

Share of Search da Categoria, Category Awareness.

Brand Awareness, Brand Equity, Liking.

CAC, LTV, ROAS.

Time to Market, Bugs, Adoption de Feature.

Diferenciação de Custos.

O Category Design se distingue do Blue Ocean Strategy no nível de ambição e intencionalidade. O Blue Ocean busca um espaço de mercado não disputado dentro de um contexto industrial; o Category Design (ou Category Creation) busca mudar o contexto e o framework mental que define o próprio oceano. É fabricar o oceano, não apenas descobri-lo.


Por que Category Design impulsiona growth (Importância no mercado)


O Category Design cria um Moat (fosso) intransponível, diferente daquele criado apenas por tecnologia ou capital. Este "fosso" é um lock-in mental e de mercado que gera um ciclo virtuoso:

  1. Posicionamento (Mental Lock-in): Ao definir o problema e a categoria, você ocupa a primeira posição na mente do cliente. As empresas que chegam depois são, por definição, "copiadoras" ou "alternativas", mesmo que o produto seja tecnicamente melhor.

  2. Economias de Escopo em GTM: O marketing se torna 10× mais eficaz. Você não está gastando dinheiro para convencer o cliente de que seu produto é "melhor", mas sim de que o mundo mudou e ele precisa da nova categoria. Isso reduz o CAC drasticamente a longo prazo e aumenta o LTV, pois o cliente está investido na categoria, não apenas no produto.

  3. Efeitos de Rede e Ecossistema: O Rei da Categoria naturalmente atrai a rede de parceiros (tecnologia, revendedores, consultores), a comunidade de usuários e os Superconsumers (clientes que são obcecados pela categoria), reforçando o seu Category Leadership. A rede de parceiros e a comunidade passam a fazer o trabalho de evangelização e validação.

  4. TAM/SAM/SOM Dinâmico: O Category Design não se limita a um Mercado Endereçável Total (TAM) existente; ele o cria. O “Suit Size” (Tamanho do Terno) da sua categoria é projetado para ser muito maior do que seu produto atual, permitindo que a empresa cresça organicamente na categoria que ela mesma definiu.

O impacto final é que o Category Design transforma a sua empresa de um competidor que gasta para sobreviver em um Category King que define as regras, drena a maior parte do capital de mercado e desfruta de uma margem superior.


Framework Prático (Estratégias e Passo a Passo)


A implementação do Category Design é um processo disciplinado que deve ser orquestrado por uma liderança executiva comprometida (CEO/CMO/CPO). Requer alinhamento total entre estratégia, produto e go-to-market.


1) Descoberta e definição da categoria


O primeiro passo é sair da mentalidade de "produto" e entrar na mentalidade de "problema".


  • Pesquisa de Clientes e "Jobs to be Done": O que o cliente está realmente tentando realizar? Qual é a dor latente que ele não consegue sequer articular? Analise entrevistas de clientes, suporte e dados de busca: as pessoas estão buscando ativamente por "soluções de X" ou há um termo novo, ineficiente ou um aglomerado de dores que aponta para um buraco?

  • Análise de Linguagem (Languaging): Como os clientes, analistas e parceiros falam sobre o problema? O languaging (linguagem) que você usa para descrever a categoria deve ser:

    • Claro: Utilitário e fácil de entender.

    • Contraste: Não deve soar como uma versão melhorada de algo antigo.

    • Memorável: Fácil de lembrar e pronunciar.

    • Otimizado para SEO: Deve ser algo que as pessoas começarão a buscar no Google para aprender, gerando o Share of Search da Categoria.

  • Nome da Categoria (Category Name): O nome ideal comunica o problema e a audiência. Ex.: "Marketing Automation", "Data Lake", "Neobank". Ele deve ter um "Suit Size" (Tamanho do Terno) grande o suficiente para o seu crescimento futuro (TAM).


2) POV e narrativa


O POV é o mapa mental que leva o cliente da dor ao seu produto.


  • Escreva o POV: Uma narrativa com começo, meio e fim.

    • O Inimigo (O Status Quo): Articule o que está errado no mundo de hoje. Nomeie o "velho jeito" (ex: "planilhas", "silos de dados", "burocracia bancária").

    • A Mudança no Mundo: Descreva a mega-tendência (tecnológica, cultural, social) que torna o inimigo insustentável (ex: "a IA mudou tudo", "o cliente é digital", "o trabalho é híbrido").

    • A Terra Prometida (Nova Categoria): Apresente o nome da sua nova categoria como a única solução viável para a Mudança no Mundo e o Inimigo.

    • A Nova Métrica: Defina como a vida será medida na Terra Prometida. Ex: em vez de "custo por clique", "valor do cliente ao longo do tempo (LTV)".

  • Hierarquia da Mensagem: A comunicação deve seguir a ordem: Categoria > Empresa > Produto. Se você pular para o produto, você cai na armadilha de ser "melhor". A mensagem deve ser: "Você precisa da Categoria X (POV), e a nossa Empresa Y é o Category King que a define".


3) Arquitetura de oferta e pricing


A sua oferta deve refletir a nova categoria e não apenas as funcionalidades.


  • Requisitos Mínimos da Categoria: Quais são os 3-5 recursos fundamentais que todo produto nessa nova categoria deve ter? Defina o padrão. Isso garante que os concorrentes que entrarem terão que gastar tempo e dinheiro para igualar o básico.

  • Pacote de Valor (Value Package): A precificação deve ser ancorada no valor que a nova categoria desbloqueia, não no custo de produção ou na comparação com o concorrente antigo. Use pricing que reflita a nova métrica de sucesso (ex: preço por usuário ativo/mês, preço por volume de dados processados, em vez de preço por licença anual).

  • Degraus de Adoção: Planeje o Product-Led Growth (PLG) ou o Account-Based Marketing (ABM) em etapas que guiem o cliente da mentalidade "velha categoria" para a "nova categoria". O produto deve ser a prova viva do POV.


4) Go-to-market e “Lightning Strikes”


O GTM (Go-to-Market) de Category Design é a orquestração de picos narrativos.


  • O Grande Lançamento (Lightning Strike): O ponto alto, onde o POV é revelado ao mundo. Isso pode ser um evento proprietário, um grande lançamento de um relatório de pesquisa, ou um movimento de PR massivo que atinja simultaneamente imprensa, analistas, investidores e clientes-alvo.

    • Não pode ser evitado: Deve ser um evento que a mídia e o mercado precisam cobrir.

    • Foco no CEO/Liderança: O POV deve ser endossado e comunicado pela liderança da empresa.

  • Canais e Conteúdo:

    • PR Narrativa: Não para cobrir features, mas para cobrir o POV e a mudança no mundo.

    • Conteúdo de Categoria: Artigos longos, pesquisas e guias (como este) que educam o mercado e ranqueiam para a nova palavra-chave. Isso constrói o Share of Search.

    • ABM e Outbound: Usar a narrativa do POV para iniciar conversas C-Level sobre o "risco de permanecer no status quo".

    • Comunidade e Parceiros: Treinar parceiros e evangelistas para falar a nova linguagem.


5) Construção de prova social e comunidade


A categoria se consolida quando outros a validam e a ensinam.

  • Early Evangelists e Superconsumers: Identifique e mobilize os primeiros clientes obcecados (os Superconsumers). Dê a eles uma voz, uma plataforma e as ferramentas para se tornarem a prova viva da necessidade da categoria.

  • Advisory Board: Crie um conselho consultivo de especialistas externos, líderes de pensamento e analistas influentes. Eles são a prova social externa mais forte de que a categoria é real.

  • Playbooks e Open-Source: Publique o seu "como fazer" (metodologia) abertamente (seja o Salesforce com "CRM" ou o HubSpot com "Inbound Marketing"). Ao disponibilizar o conhecimento, você define o padrão para a categoria e ganha autoridade.


6) Medição e governança da categoria


O Category Design não é medido apenas por MQLs (Marketing Qualified Leads) ou conversões diretas de um anúncio. Requer métricas que reflitam a adoção da nova categoria.

Fase da Categoria

Métrica de Foco (Business)

Métrica de Categoria (Lag)

Métrica de Marketing/Growth (Lead)

Definição/Lançamento (0-12m)

Alinhamento da liderança.

Awareness de Categoria (Buscas pelo termo no Google Trends).

Cobertura de PR (Qualidade e POV), Share of Conversation em mídia social.

Adoção (12-36m)

Crescimento Acelerado (ACV/ARR).

Pipeline Influenciado (Receita atribuível à categoria).

Share of Search (Buscas pela categoria vs. concorrentes antigos).

Domínio (36m+)

NRR, LTV/CAC, Margem.

Taxa de Fechamento/Velocidade (Contratos fechados vs. Categoria Antiga).

Comunidade (Usuários Ativos e Evangelistas), Moat financeiro.


Instrumentação: Use ferramentas de SEO (Ahrefs, SEMrush) para rastrear o crescimento de buscas exatas pelo Nome da Categoria. Use ferramentas de Social Listening e PR para medir o Share of Conversation (quantas vezes a categoria está sendo discutida vs. o produto). O sucesso do Category Design é a sua palavra-chave nova se tornando um termo de busca dominante.


Exemplos e Estudos de Caso



B2B Global: HubSpot (Inbound Marketing)


  • O que fizeram: Antes do HubSpot, o marketing era visto como Outbound (compra de leads, interrupção, feiras). O inimigo era a interrupção.

  • Narrativa e POV: Eles criaram e definiram o Inbound Marketing (Marketing de Atração). O POV era que a internet e os novos hábitos do consumidor tornaram a interrupção ineficaz. O POV dizia: "É preciso atrair e não perseguir." A categoria não era "software de marketing", era Inbound Marketing.

  • Lightning Strike: O livro Inbound Marketing (2009) e a criação de conteúdo massivo e gratuito (blog, certificações) que ensinava a metodologia, não o produto. Eles se tornaram a autoridade na categoria antes de tentar vender a solução.

  • Medição: O crescimento explosivo das buscas por "Inbound Marketing" e a adoção da metodologia como padrão global. Seu CAC era menor que o dos concorrentes, pois o próprio POV e o conteúdo geravam leads qualificados e educados.


B2C Global: Netflix (Streaming)


  • O que fizeram: A categoria antiga era "entretenimento sob demanda" via locadoras (Blockbuster) e TV a cabo. O inimigo era a Fricção (ir à loja, pagar multa, esperar a programação).

  • Narrativa e POV: A Netflix redefiniu o problema como "como assistir o que eu quero, quando eu quero, sem interrupção". Eles criaram a categoria de Streaming (primeiro, DVD por correio; depois, o streaming digital).

  • Lightning Strike: Movimentos arriscados, como a divisão da empresa (Qwikster) e o investimento massivo em Conteúdo Original (House of Cards foi um POV sobre "Entretenimento sob Demanda de Alta Qualidade").

  • Medição: Crescimento do número de assinantes (a nova métrica de sucesso), e a consequente busca por "Netflix" e "Streaming" dominando "Blockbuster" e "Locadora" (o inimigo). Eles não competiram por preço; competiram por Fricção Zero.


Paralelo no Brasil: Nubank (Neobank/Serviços Financeiros Digitais)


Embora a Nubank não tenha usado o termo "Category Design" abertamente como um framework, a dinâmica de mercado é um exemplo clássico de criação de categoria.

  • O que fizeram: A categoria antiga era "serviços bancários". O inimigo era a Burocracia e a Banalização da Má Experiência (taxas abusivas, agências físicas, longas filas, letras miúdas).

  • Narrativa e POV: O Nubank não lançou um "cartão de crédito melhor"; lançou um novo POV sobre a relação com o dinheiro. A categoria é a de Neobanks (bancos 100% digitais) ou Serviços Financeiros Livres de Burocracia. O POV era "A complexidade é um roubo".

  • Lightning Strike: O lançamento do cartão roxo, sem anuidade e controlado por aplicativo (o produto era a prova viva do POV) foi o Lightning Strike. O foco no User Experience (UX) extremo e o PR sobre a ausência de taxas foram a diferenciação da categoria.

  • Medição: A marca Nubank e o conceito de "banco digital" se tornaram sinônimos no Brasil (dominância de Share of Search). A taxa de recomendação (NPS) e o crescimento da base de clientes (superando rapidamente os bancos tradicionais) são a prova da adesão à nova categoria.


Erros Comuns a Evitar


Category Design exige disciplina e paciência. Os erros mais comuns são causados pela impaciência em reverter a estratégia para o status quo do marketing tático.


  1. Confundir Rebranding com Category Creation: Mudar a logo ou a cor não é Category Design. Category Design exige mudar o mindset do cliente, não a embalagem do produto.

  2. Pular a Fase de Pesquisa/POV: Nomear a categoria cedo demais, sem antes ter certeza de que o POV resolve uma dor latente real e que a empresa tem alinhamento para construir a solução. O POV vem antes do nome da categoria.

  3. Focar no Produto (O "Melhor"): Se o seu pitch é "somos como X, mas 20% mais rápidos", você falhou. Você está validando a categoria antiga e aceitando ser um competidor. O Category King foca no Inimigo e na Mudança no Mundo.

  4. Fazer "Tudo ao Mesmo Tempo" (Sem Lightning Strikes): Tentar educar o mercado com conteúdo fraco e pulverizado, em vez de orquestrar um grande e inevitável pico de atenção (lightning strike) que estabelece o POV. O mercado tem que sentir o golpe.

  5. Medir Apenas o CAC/Leads de Fundo de Funil: O Category Design é uma estratégia de topo de funil e de posicionamento mental. Se você medir apenas o CPL ou leads diretos nos primeiros 12 meses, você pode matar a categoria. Meça o Share of Search da categoria, a cobertura do POV pela imprensa e o crescimento do TAM.


Tendências e Futuro do Category Design


O Category Design está se tornando mais rápido, mais baseado em dados e mais descentralizado.


  • IA Generativa e Categorias Emergentes: Ferramentas de IA (como LLMs) estão acelerando a criação de novas categorias (ex: "AI Copilot", "Automação Preditiva"). O Category Designer que usar a IA para identificar dores latentes e linguagem nova rapidamente será o pioneiro.

  • Communities-Led Growth (CLG): A comunidade de clientes e usuários se torna a força de evangelização primária. O Category King não apenas define o POV; ele constrói o playbook da categoria e o distribui para que a comunidade o use. O crescimento da categoria é liderado pela comunidade.

  • Dados de Busca e Social Listening Orientando POVs: A análise de buscas (o que as pessoas realmente digitam), PAA (People Also Ask) e tendências sociais se tornam a matéria-prima para identificar o languaging e a dor latente que dará origem ao POV.

  • Analistas (Gartner/Forrester) como Catalisadores: A criação de uma nova categoria é validada quando analistas de mercado (como Gartner ou Forrester) a reconhecem e a incluem em seus relatórios (ex: Quadrante Mágico). O Category Design estratégico inclui uma forte estratégia de relações com analistas desde o início.

  • Creators e Category Kings: Indivíduos (creators) estão cada vez mais lançando POVs e categorias antes das empresas, usando plataformas como newsletter, podcast e YouTube. A empresa pode cocriar ou patrocinar o POV de um creator influente para um lightning strike mais rápido.


Checklist de Execução


Uma lista prática para garantir que a estratégia de Category Design está alinhada e pronta para o lançamento.


  1. Alinhamento Executivo: O CEO/CMO/CPO está 100% comprometido em ser o Rei da Categoria?

  2. Inimigo Nomeado: O que o seu POV está ativamente se opondo (o status quo)?

  3. POV Escrito: O POV é uma narrativa emocional sobre a mudança do mundo, e não um pitch de produto?

  4. Nome da Categoria Definido: O nome é claro, memorável e otimizado para se tornar um termo de busca?

  5. Blueprint da Categoria: O mapa visual dos problemas e soluções da categoria está desenhado (o "Suit Size")?

  6. Requisitos Mínimos da Categoria: Os requisitos mínimos que todo competidor deve ter para participar da categoria estão definidos?

  7. Produto é a Prova Viva: O produto resolve o problema que o POV articula de forma 10× melhor, não 10% melhor?

  8. Estratégia de Languaging: A equipe de vendas e marketing usa ativamente a nova linguagem?

  9. Plano de Lightning Strike: O evento de lançamento é grande, surpreendente e atinge as principais mídias/analistas?

  10. Conteúdo de Categoria (SEO): Existe um plano para construir o Share of Search (conteúdo ranqueando para o novo termo da categoria)?

  11. Superconsumers Identificados: Quais clientes serão mobilizados para evangelizar a categoria?

  12. KPIs de Categoria: O time de Growth e Marketing está rastreando ativamente o Share of Search e o Awareness de Categoria (não apenas leads)?

  13. Pricing Ancorado em Valor: O modelo de preço reflete o novo valor que a categoria desbloqueia?

  14. Roadmap de Categoria: O roadmap de produto tem funcionalidades que aprofundam o moat da categoria, e não apenas features incrementais?


Roteiro de 90 Dias (HowTo)


Um cronograma acelerado para empresas com alinhamento executivo prévio.

Semanas

Entregável Principal

Responsável Chave

Marcos de Medição

Semanas 1-3

Alinhamento e Descoberta

CEO, CPO, Category Designer

Documento "Jobs to be Done" e Matriz de Dores Latentes.


Pesquisa Qualitativa (Clientes/Superconsumers)


Lista de Languaging de Clientes (termos usados para descrever a dor).

Semanas 4-6

POV e Nome da Categoria

CMO, CEO, Time de Conteúdo

Rascunho Final do POV e Aprovação do Nome da Categoria (com SEO Check).


Arquitetura de Oferta

CPO, CFO

Definição dos Requisitos Mínimos da Categoria e Modelo de Pricing.

Semanas 7-9

Plano de Lightning Strike

CMO, PR/Comunicação

Datas do Lançamento, Lista de Analistas/Jornalistas-alvo, Roteiro do CEO.


Conteúdo de Categoria (MVP)

Time de Conteúdo, SEO

5 Artigos/Guias de Categoria Prontos para Lançamento e Estrutura do Hub de Conteúdo.

Semanas 10-12

Execução do Lightning Strike

CMO, Vendas

Lançamento Global do POV e da Nova Categoria (Evento, PR, Anúncio).


Alinhamento do GTM

Vendas, Customer Success

Novos Playbooks de Vendas e Treinamento em Languaging da Categoria.


Monitoramento Inicial

Growth/Analytics

Primeiros dados de Buscas e Share of Conversation pelo termo da Categoria.


FAQ


O Category Design é relevante apenas para startups de tecnologia (SaaS)? Não. Embora tenha sido popularizado pelo Vale do Silício, o Category Design é uma estratégia de negócio aplicável a qualquer setor (B2B, B2C, Bens de Consumo, Serviços) que precise se diferenciar de concorrentes "melhores" e criar um fosso (moat) de valor para o cliente.


Qual é a principal diferença entre Category Design e Posicionamento? O posicionamento é sobre como você se encaixa em uma categoria existente (ex: "somos o mais barato na categoria X"). O Category Design é sobre criar uma nova categoria e ser a única opção nela (ex: "somos a única solução para o problema Y, pois a categoria X falhou").


Quanto tempo leva para criar uma categoria de sucesso? A fase de descoberta e alinhamento (Play Bigger) pode levar de 3 a 6 meses. O Category Design é uma jornada de 3 a 10 anos. O Lightning Strike inicial é rápido, mas o domínio (atingir a dominância de 76% do valor de mercado) exige disciplina, investimento contínuo no POV e na comunidade ao longo de vários anos.


Devo criar uma categoria se já tenho Product-Market Fit (PMF)? Se seu PMF está em uma categoria commoditizada e seu CAC/LTV está sob pressão, o Category Design é a estratégia ideal para reinicializar seu crescimento. Ele usa o PMF como base para saltar para o PMF+CS (Category Superconsumer), dando escala à demanda que você já atende.


Conclusão


Category Design é a estratégia de crescimento para a próxima década. Em um mundo saturado de informação e de "melhores" produtos, a única forma de prosperar é redefinir o jogo. Deixar de competir pelo que já existe para investir na criação do que é novo.


A escolha é clara: você continuará lutando por migalhas no oceano vermelho da competição, vendendo o seu produto como uma versão melhor do que já existe, ou investirá no poder de um Ponto de Vista (POV) revolucionário para fabricar o seu próprio oceano azul e se tornar o Category King que define as regras e captura a maioria do valor? O Category Design é o mapa para essa transformação estratégica.


E aí?


Pronto(a) para mover sua empresa da competição para o domínio de mercado? O Category Design não é um projeto de marketing pontual, mas uma jornada de transformação executiva. Entre em contato com nossos especialistas para agendar um diagnóstico de Categoria e descobrir o POV que irá desbloquear sua demanda latente e posicionar sua empresa como o próximo Category King do mercado brasileiro.


Referências


  1. Play Bigger: How Pirates, Dreamers, and Innovators Create and Dominate Markets – Al Ramadan, Dave Peterson, Christopher Lochhead, Kevin Maney – Link para o livro na editora/página oficial do Play Bigger.

  2. The Category Design Handbook: The 3-Part Category Design Framework – Category Pirates (Christopher Lochhead, Katrina Kirsch, Eddie Yoon) – Link para artigo/framework específico da Category Pirates.

  3. Category Design is a Company Strategy, Not a Marketing Campaign – Dave Peterson (Play Bigger) – [Link para artigo de blog da Play Bigger ou a16z/First Round Review, se disponível publicamente].

  4. Creating New Market Categories: How to Transform Your Business and Capture the Next Frontier – Michael E. Porter (Conceitos correlatos de Posicionamento e Estratégia) – [Link para artigo de HBR sobre estratégia ou posicionamento, se relevante].

  5. A CMO'S Guide to Sticking the Category Design Landing – Play Bigger – Link para o artigo da Play Bigger sobre Go-to-Market.

  6. Blue Ocean Strategy: How to Create Uncontested Market Space and Make the Competition Irrelevant – W. Chan Kim, Renée Mauborgne – Link para o site oficial do Blue Ocean Strategy.

  7. The Magic Triangle: How To Balance Product, Company, And Category – Category Pirates – Link para o framework do Category Pirates sobre o Triângulo Mágico.

  8. Category Point of View (POV) – The Superheroes Guide – Category Design Advisors – Link para o artigo sobre o POV.

  9. The Evolution of New Markets – Paul Geroski (Fundamento acadêmico da categoria) – [Link para uma referência acadêmica/HBR sobre Paul Geroski se o paper completo não for acessível].

  10. The Category King Captures 76% of the Value – Estatística comum citada pelo Play Bigger (Reforço do ponto 1, se não houver link direto de um relatório).

  11. HubSpot's Inbound Marketing Methodology – Link para o site oficial da HubSpot sobre a metodologia Inbound.

  12. Nubank: A História por Trás do Roxo – [Link para um artigo de notícia ou press release sobre a fundação e POV do Nubank].

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